Horizontes de Foco

À medida que novas situações surgem, é necessário ir tomando decisões sobre o que é mais importante e o que pode esperar mais um bocadinho.
O sistema GTD quebra por completo com a abordagem tradicional de definir listas de tarefas com prioridades (A,B,C,… 1,2,3,4,5… etc). Em vez disso, diversas outras técnicas são utilizadas para decidirmos onde devemos investir o nosso tempo e energia. Uma dessas técnicas, que vai muito para além de um auxílio à tomada de decisões, são os Horizontes de Foco. 

Um guia para a vida
Utilizar e compreender os Horizontes de Foco é ter um guia para as nossas acções, decisões, prioridades e acima de tudo, para a nossa vida. Tendo este peso, é muito importante não serem deixados de lado em qualquer implementação de GTD.
A nomenclatura dos Horizontes de Foco é como uma comparação a um avião que vai descolar. Inicialmente o piloto apenas consegue ver aquilo que está imediatamente à sua frente. Assim que levanta e vai ganhando altitude, consegue ver cada vez mais longe, e ver tudo o que o rodeia com uma perspectiva mais abrangente e completa.

Pista de Descolagem
Este é o primeiro nível, onde está o momento presente, o agora. Basicamente é a lista de todas as nossas próximas acções, todos os emails, telefonemas, pequenas tarefas. Não há limites de tamanho, normalmente são listas bastantes extensas.

10,000 pés
A este nível saímos daquilo está imediatamente à nossa frente e vemos um pouco mais além. Aqui estão representados os Projectos, isto é, próximas acções agrupadas com objectivos definidos. Não é uma lista fixa ou estagnada, mas em constante actualização, despoletando constantemente novas acções.

20,000 pés
Áreas de Responsabilidade. Criamos ou aceitamos novos projectos devido às nossas áreas de responsabilidade. Podemos definir estas áreas como tudo aquilo pelo qual temos uma responsabilidade continua, na qual queremos atingir certos resultados e/ou manter uma certa qualidade. Ao contrário dos projectos, as áreas de responsabilidade não têm um fim, isto é, nunca ficam completas. Por exemplo, ser responsável pelo departamento de Marketing, responsável pela limpeza em casa, responsável pela saúde do cão, responsável pela manutenção do carro, etc etc. É útil dividirmos as áreas de responsabilidade em áreas de vida pessoal e de vida profissional. Em cada uma delas é normal termos entre 6-10 áreas.
Ler, rever e pensar sobre as nossas responsabilidades também ajuda a despoletar novos projectos objectivos específicos que queremos atingir.

30,000 pés – Objectivos para 1 a 2 anos.
O que é que queremos estar a experienciar na nossa vida pessoal ou profissional daqui a 1 ou 2 anos? Ter esta visão adiciona uma nova perspectiva e dimensão ao trabalho que escolhemos fazer. Será que as minhas responsabilidades estão alinhadas com o que quero estar a fazer e ser daqui a 2 anos?
Mais uma vez, pode-se dividir entre objectivos pessoais e profissionais.

40,000 pés – Visão para 3 a 5 anos
Projectar e planear a nossa vida para daqui a 3 a 5 anos põe-nos a pensar ainda mais alto: estratégias profissionais, movimentos, transição das circunstâncias da nossa vida e carreira. Se temos objectivos para 1 a 2 anos, é porque devem estar alinhados com o que queremos atingir passados 3 a 5 anos.
Decisões a este nível podem muito facilmente alterar o modo como vemos e escolhemos o trabalho em todos os outros níveis.

50,000 pés – Vida
Este é o nível da “big picture”. Porque é que a minha empresa existe? Porque é que tenho esta responsabilidade? Porque é que eu existo? Perceber qual é o propósito de qualquer coisa, ajuda a definir o que é que o “trabalho” é. Todos as visões, objectivos, projectos e acções derivam deste propósito mais profundo, e conduzem-no a ele.

Construíndo o modelo
Certamente que estes modelos de analisar a nossa vida, responsabilidades e objectivos não devem ser estranhos para muito gente. Muitas filosofias ou outros métodos de organização ou desenvolvimento pessoal incluem algo que se assemelha a isto. A diferença principal no sistema GTD está principalmente no facto de incluir uma micro-gestão (isto é, gerir as acções do dia-a-dia) e também no modo que estes níveis são construídos: bottom-up, ao invés da metodologia tradicional top-down.

Pode parecer bastante estranho construir este modelo indo de baixo para cima. Estamos habituados a pensar sempre em quem nós somos, qual a nossa visão e objectivos, e finalmente chegarmos ao que queremos atingir e fazer diariamente.
Em GTD viramos tudo ao contrário, porquê?

Bottom-up é a solução
O método GTD ajuda principalmente na organização diária de tarefas, responsabilidades e compromissos. De uma forma eficaz e infalível, que se torna então numa fonte de produtividade livre de stress. Quando estamos nesse estado de produtividade e eficiência, e simultaneamente conseguimos estar relaxados, atinge-se um nível em que a nossa criatividade se pode desbloquear, abrindo novas portas para o nosso potencial humano.

Podemos passar muito tempo a visionar o nosso futuro, decidir a vida projectos a longo prazo, e por curtos momentos sentimo-nos bem. Mas, muito rapidamente a quantidade astronómica de tarefas em atraso, responsabilidades, reuniões, e coisas pendentes cai sobre nós, abafando aquilo que foi previamente conseguido.
Assim, em GTD primeiro limpamos aquilo que está aqui e agora à nossa frente a pedir atenção e a ocupar o nosso espaço psíquico. À medida que limpamos a pista de descolagem, vamos naturalmente tendo liberdade para ir mais alto e tudo vai ganhando mais definição.

Este é um processo prático e não teórico. Aconselho a que experimentem em vocês mesmos fazer este processo e sentirem a diferença nos resultados.

About the Author: Nuno Donato

Formador GTD em Portugal. Apaixonado pela ciência do estudo da mente e do comportamento humano, tenta aprender e ensinar as melhores técnicas, ferramentas e estratégias para optimizar o nosso trabalho e maximizar a vida.

2 Comments

  1. Responder Paulo Cezar

    Fantástico !!! muita gente faz GTD mas não atenta para a parte mais importante que é de HORIZONTES DE FOCO.

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