GTD para mamãs

Já por várias vezes tive mães que, durante apresentações e conversas sobre GTD, acabam por trazer o argumento “isso só funciona porque você não tem filhos”. Nada pode estar mais longe da realidade. GTD não se trata do nosso trabalho como emprego, mas sim de todas as “coisas” que nos ocupam espaço mental.

Existem imensas histórias e relatos da aplicação de GTD quer em meios de fato e gravata, quer em casa com as crianças. Este artigo é um desses relatos.

(artigo traduzido do original inglês em: http://networkedblogs.com/3Gpsh)

April Perry é mãe de quatro crianças e co-directora do www.powerofmoms.com.

 

As mães precisam de Getting Things Done tanto (ou mais!) que qualquer outro grupo de pessoas. Porquê? Vou-vos dar uma amostra da minha vida “pré-GTD”.

O meu filho de 7 anos, Ethan: Mãe, queres ver este lagarto de brincar que recebi como prémio hoje?

Eu: Sim. Ooh. É muito giro. (E depois na minha cabeça) Preciso de comprar as tolhas de papel, e temos formigas na casa de banho, sexta-feira é o aniversário da minha sobrinha, sei que há aqui algures um papel que tenho que assinar…

Ethan: Mãe! Nem estás a olhar!

Eu: Desculpa. Okay. Sim, gosto mesmo desse lagarto. Como se chama? nem fiz exercício hoje. ver se amanhã não me esqueço. Será que preciso de alguém que tome conta dele na sexta à noite? Como será que está a roupa? Se conseguisse organizar a lavandaria, ia-me sentir muito melhor. Onde raio está o livro que estava a ler? Tenho que me lembrar de trazer chocolates da loja. A carpete tem que ser aspirada. Onde está o bebé?

Ethan: Mão, olha! Aqui. O lagarto tem olhos tão fixes que até saltam quando lhe aperto o pescoço.

Neste ponto já estou tão frustrada com o diálogo na minha cabeça que peço ao Ethan para me mostrar o seu brinquedo mais tarde (o que não vai acontecer), saio para encontrar o bebé e fazer algum progresso (seja qual for) na minha lista de “a fazeres” que não para de crescer.

Cenários como este são muito familiares para qualquer mãe. Eu gostava que o hospital incluisse uma cópia do Getting Things Done para levar para casa com cada saco de fraldas, mas acho que o mundo em geral não percebe o quão incrivelmente sobre-lotadas as mães são. Todos os dias lutamos para lidar com a educação dos filhos, os pés que vão crescendo para fora dos sapatos, as migalhas que se metem pelo sofá, e pulseiras que ficam presas na máquina de secar. Tentamos usar os nossos talentos, nutrir as nossas mentes, e salvar o mundo, mas acabamos desmotivadas quando percebemos que não maneira de “fazer tudo”. As mães amam as suas crianças e querem ter uma mão que possa controlar todas as “coisas” da vida, para que possamos disfrutar de momentos como aquele na folto em cima.

Ninguém gosta de viver com stress, mas muitas mães simplesmente não conhecem outra opção. Mas assim que descobrem Getting Things Done, as suas vidas mudam.

Aqui está o que Getting Things Done fez por mim:

  • Permitiu-me mesmo DESFRUTRAR momentos com a família. Deixei de estar sempre preocupada com a minha lista de coisas para fazer, e por isso uso melhor o meu tempo. Só isto, valeu a pena todo o tempo que levei a implementar o meu sistema, não acham?
  • A minha energia ficou mais focada diariamente, com a ajuda de um simples calendário e uma lista de Próximas Acções. Quando tenho dez minutos enquanto a esparguete coze, tenho meios para encontrar um uso específico e eficiente para esse tempo.
  • Deu-me energia e “espaço mental” para me dirigir rapidamente em direcção aos meus objectivos ao mesmo tempo que mantenho uma vida mais equilibrada. Uma amiga disse-me, “Se tu criasses um programa que mostrasse às mulheres como ser bem sucedidas nos negócios enquanto mantêm uma vida familiar saudável, todas as mulheres que conheço o iam comprar”. Bem, David Allen já fez isso. Chama-se Getting Things Done.
  • Uma última coisa que vale a pena mencionar é que aprendi que a organização não se trata de ter uma casa perfeita – é um estado mental. Costumava perder HORAS a limpar e organizar a casa porque essa era a única maneira de me sentir “em controlo”. Agora mantenho tudo limpo e organizado de uma forma mais simples, mas estou tão entusiasmada com a vida que os brinquedos, marcas de dedos e todas as confusões associadas com criar um família já nem me chateiam. A minha casa é uma alegria.

Se és uma mãe, e queres a mesma experiência na tua vida, aqui estão algumas ideias para o fazer funcionar:

  1. Lê o Getting Things Done. Encomenda online, procura na livraria, ou pede emprestado a um amigo. Deixa a TV de lado durante algumas noites e lê o livro do início ao fim.
  2. Traduz os conceitos para a tua “língua”. Não penses que não podes aplicar o sistema só porque vês que a maior parte das pessoas que o faz está num ambiente de trabalho diferente, enquanto tu estás em casa a embrulhar o lanche e a brincar com fantoches. Os princípios de GTD funcionam com qualquer pessoa… até contigo.
  3. Investe uma hora por dia para implementar o processo. A maior parte das mães não tem grandes pedaços de tempo para se poderem organizar, mas se os pequenos pedaços forem bem utilizados, vão trazer-te calma, felicidade e um entusiasmo sobre as possibilidades futuras.

Se querem dar às vossas mães um GRANDE presente, Getting Things Done é uma óptima opção – porque é mais do que um livro, é a chave para a maternidade sem stress.

Uma contribuição de April Perry.

About the Author: Nuno Donato

Formador GTD em Portugal. Apaixonado pela ciência do estudo da mente e do comportamento humano, tenta aprender e ensinar as melhores técnicas, ferramentas e estratégias para optimizar o nosso trabalho e maximizar a vida.

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