Testemunho: É tudo trabalho

Uma contribuição de Erik Hanberg para a comunidade GTD.
Artigo traduzido do original “It’s all Work”.

«Para mim, uma das coisas mais fáceis e simultaneamente mais difíceis nos conceitos de Getting Things Done de David Allen, é pensar em tudo como sendo trabalho.

Afinal de contas, quem quer pensar em trabalho a toda a hora? Mas rapidamente aprendi as vantagens desta dica.

Quando estava a implementar GTD pela primeira vez, percebi esta ideia como uma técnica para me certificar que não excluía as partes divertidas da vida. Se as minhas listas tivessem apenas coisas do meu trabalho, ia ser sempre penoso olhar para elas. Mas adicionei projectos como “Conhecer grandes peças de arte” e “Visitar o mundo”. Isso significava que todas as semanas  eu pensava um pouco sobre estes dois projectos e certificava-me que estava a fazer algo em relação a eles, podia ser “ver o próximo disco de Mad Men” ou “reservar bilhetes para o comboio até Itália”.

Percebi também que este conceito ajuda a re-pensar a procrastinação. O sistema de David Allen encoraja-me a considerar os meus níveis de energia quando olho para os meus projectos. Por isso, se não tenho a energia necessária para aquela tarefa gigante à minha frente, posso em vez disso fazer as pequenas tarefas relacionadas com a minha casa ou vida pessoal – e isso também é trabalho! Não estou a adiar, estou a… fazer coisas (getting things doe). É tudo trabalho.

Mas nos últimos dois anos, apercebi-me que por trás desta dica há uma força ainda maior do que aquela que inicialmente julguei.

A minha vida profissional está fracturada em várias pequenas peças. Sou o Director Executivo em part-time de uma organização cívica sem fins lucrativos (12.5 horas por semana!). Estou num escritório público, um dos cinco comissários que supervisiona o distrito aqui em Tacoma, Washington. Para além disso sou um programador web, gestor de projectos e contabilista para a empresa de design gráfico da minha esposa, que por sua vez se divide em projectos relacionados com cada cliente que temos.

Sem-fins lucrativos, governo e trabalho privado. Não sei se conseguiria fazer isto tudo sem GTD.

É claro para mim que, ter uma lista de tarefas bem mantida é essencial para conseguir gerir esta mistura de vidas. Mas é mais do que isso. Às vezes consigo sentir o quão fácil seria deixar-me sentir sobrecarregado por tudo isto. Naqueles dias em que tenho reunião após reunião após reunião, sem qualquer relação entre elas – penso muitas vez que se pudesse “simplificar” a vida, tudo seria mais simples.

Mas também acho que a simplicidade é uma ilusão. Na realidade, mesmo quando tinhas um emprego das 9 às 5, estava sempre a ser puxado em diferentes direcções durante todo o dia. Objectivos a longo prazo, objectivos a curto prazo, reuniões de orçamentos, reuniões de pessoal, e – claro – eu sou o único que consegue mudar o cartucho da impressora.

Pensar no meu emprego, mais os meus papéis da vida pessoal, mais o meu trabalho voluntário como partes integrantes de um puzzle de “trabalho” ajuda-me a alcançar mais do que alguma vez achei ser possível.

É tudo trabalho. É tudo a mesma vida.»

About the Author: Nuno Donato

Formador GTD em Portugal. Apaixonado pela ciência do estudo da mente e do comportamento humano, tenta aprender e ensinar as melhores técnicas, ferramentas e estratégias para optimizar o nosso trabalho e maximizar a vida.

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