Dar atenção ao que chama a nossa atenção

«Muitas coisas que para si são importantes não estão na sua mente, porque não precisam de estar – estão em “piloto-automático”. O que é que, então, isso diz sobre as coisas que estão efectivamente a roubar a sua atenção? Tem que haver algo sobre essas coisas que não foi suficientemente identificado (recolhido) ou clarificado e decidido (processado). Esse inventário de itens que está na sua mente porque ainda tem que ser gerido por ela é a pedra no sapato que sabota o seu sistema.

Identificar o que está na sua mente é a prática essencial na primeira das cinco fases de atingir o controlo do trabalho – limpar. Pode já ter concluído que aquilo a que me estou a referir é fazer uma lista de tarefas, o que não está longe da verdade. Mas aquilo que a maioria das pessoas põe numa lista de tarefas é apenas uma minoria daquilo que realmente lá devia estar para conseguirem atingir o máximo controlo e perspectiva. Se há algo que ainda está na sua mente, que ainda gasta a sua atenção, pode tentar arranjar mais clareza e foco ao dar a essa ‘coisa’ a atenção que realmente necessita.

Se não der atenção aquio que chama a sua atenção, vai gastar mais atenção do que aquela que merecia. O total de energia mental, psíquica, emocional que vai gastar no que quer que esse pensamento seja, com o decorrer do tempo, irá ser muito maior do que aquela que é realmente necessária para lidar com essa ‘coisa’ quando ela aparece pela primeira vez.

O que é necessário para conseguir largar da sua mente todas estas potenciais distracções é não as considerar como distracções mas lidar com elas como que se de um telefone a tocar se tratasse – uma chamada sobre uma qualquer situação. Se não atender o telefone, ele vai continuar a tocar. Se o atender, pode tratar dessa chamada e o telefone não volta a tocar. O que acontece, ao não atender o telefone para as coisas menos importantes, é que elas irão manter a linha ocupada e não deixar que outros inputs tenham também o seu espaço merecido.

Tudo isto para afirmar que, de uma forma algo estranha à nossa ideia comum, tudo é igualmente importante. Tudo, isto é, que chama a sua atenção. Se aquilo que precisa para gerir a sua vida e o seu trabalho é ter o máximo foco e energia, em qualquer altura e a toda a hora, então tudo aquilo que diminuir essa capacidade deve ser eliminado. »

Traduzido e adaptado de “Making it All Work”, David Allen

About the Author: Nuno Donato

Formador GTD em Portugal. Apaixonado pela ciência do estudo da mente e do comportamento humano, tenta aprender e ensinar as melhores técnicas, ferramentas e estratégias para optimizar o nosso trabalho e maximizar a vida.

Leave A Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *