GTD em piloto automático – as fases de aprendizagem

Invariavelmente, quando entro em contacto com alguém após já terem tido alguma formação em GTD, sinto uma séria mea-culpa: “sabes, ainda não implementei tanto disto quanto devia…”. É estranho pelo facto de que aquilo que ensinamos é tão simples, básico e de senso-comum que parece quase ridículo que ainda não o tenham implementado por completo.

Estes são os estágios para adquirir uma nova habilidade e a forma como se relacionam com a aprendizagem de GTD:

1. Incompetência Inconsciente. Eu não sei aquilo que não sei sobre o que não sei que podia saber. Ou, eu sei que algo está mal, mas não tenho a certeza do que é, nem daquilo que estou a fazer ou a não fazer que está a causar isso. 98% das pessoas com as quais me relaciono sentem-se de alguma forma embaraçadas pelos seus sistemas ou capacidade de “produtividade”, mas não sabem exactamente o que mudar ou como o mudar.

2. Incompetência Consciente. Eu sei exactamente aquilo que devia estar a fazer, mas não o faço. Eu sei que preciso de exteriorizar e identificar, clarificar e rever os meus compromissos, mas ainda não mudei os meus hábitos e continuo a manter tudo isso na minha memória RAM e estou continuamente a evitar a decisão das próximas acções.

3. Competência Consciente. Eu sei o que fazer, e estou a fazê-lo, mas preciso mesmo de permanecer focado e “levar-me” a fazê-lo regularmente. Continuo a pensar em todo o processo para que possa fazer o processo como é suposto.

4. Competência Inconsciente. Estou livre para pensar em coisas maiores. Uso o processo para me focar, mas não preciso de continuar a pensar no processo em si.

Para alguns, já é uma mudança monumental só o facto de finalmente conseguirem ter o “jogo” definido, juntamente com o saber voltar a esse estado consistentemente. Saber que existe um caminho e uma abordagem que nos leva de volta ao controlo e foco vai, até certo ponto, criar um relaxamento para a nossa mente, mesmo que ainda não tenhamos posto o plano inteiramente em prática.

Mas sentirmo-nos melhor com algum entendimento de GTD não o torna automático, nem vai substituir a verdadeira sensação da experiência “mente como água”, que resulta de uma aplicação estável e consistente. Os novos padrões precisam de ser implementados – mental e fisicamente – a níveis mais profundos, para estarmos mesmo em piloto automático.

Muitas pessoas comentam comigo que “GTD requer muita disciplina!”. Na verdade, não requer, não mais do que a mesma disciplina que nos faz tomar banho ou escovar os dentes, uma vez que a estranheza inicial seja ultrapassada. Quanto tempo demora a chegar lá? Demora o tempo que demorar. Mas enquanto continuar a adiar isso, vai sempre demorar mais um dia. Por isso, continue a insistir, naquilo que falha. Escreva as coisas. Defina objectivos, resultados a atingir e próximas acções. Organize-as e reveja-as. E vai-se sentir mais e mais desconfortável, quando não o fizer.

traduzido e adaptado do original de David Allen
“Getting GTD onto cruise control” 

About the Author: Nuno Donato

Formador GTD em Portugal. Apaixonado pela ciência do estudo da mente e do comportamento humano, tenta aprender e ensinar as melhores técnicas, ferramentas e estratégias para optimizar o nosso trabalho e maximizar a vida.

1 Comment

  1. Responder Miguel Marques

    obrigado Nuno por nos manter conscientes dos passos necessários para adoptar o GTD.

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