A ciência por detrás de GTD® (Parte 2)

(Ler também a Parte 1 »)

Nos anos 20, Bluma Zeigarnik trabalhava regularmente na sua tese de doutoramento num café, como muitos estudantes o fazem. Com o tempo, começou a reparar que os empregados de mesa tinham uma capacidade enorme para guardar em memória as encomendas das mesas, quem faltava pagar e quem já tinha pago. Observou também que após a finalização da conta do cliente, os empregados esqueciam-se quase de imediato de toda a encomenda, valores e pessoas que tinham atendido.

Com base nisto, desenvolvou o chamado “Zeigarnik Effect”, o sistema que o nosso cérebro usa para manter o controlo de tarefas inacabadas.

Experienciamos o efeito várias vezes. Basta, por exemplo, ouvir uma música só até metade e desligá-la. A nossa mente irá continuar pois a tarefa ficou “inacabada”. Estas tarefas inacabadas são guardadas numa memória de acesso rápido, que apenas será libertada assim que tivermos a confiança que conseguimos realmente tomar o assunto como concluído.

Pontos chave

  • O cérebro mantém um registo de tudo o que estamos a fazer(ou vigiar) e que permanece inacabado
  • Quantas mais tarefas(ideias/pensamentos) tivermos que manter sob controle, mais energia(glucose) é consumida pelo cérebro
  • Temos um espaço limitado nesta na nossa memória de acesso rápido. Se o cérebro estiver a vigiar demasiadas coisas, sentimo-nos sobrecarregados – reduzindo a capacidade de foco e aumentando os esquecimentos

O efeito Zeigarnik e GTD

Em GTD, David Allen chama estas tarefas inacabadas de “ciclos abertos” (open loops). São coisas que chamam a nossa atenção, mas para as quais ainda não decidimos o que significam para nós e o que queremos (ou não) fazer com elas. Podem ser coisas complexas como uma nova ideia para acabar com a fome mundial, ou simplesmente tratar de um recado que acabou de chegar.

Com o uso de GTD, delegamos para o sistema o trabalho de gerir e manter sob vigia todos estes ciclos abertos, para que o cérebro não tenha que o fazer. Dessa forma, libertamos espaço na memória, ganhamos mais foco e capacidade de concentração e, acima de tudo, mais tranquilidade mental.

Na prática, como é que GTD auxilia neste processo?

  1. A fase de Recolha garante que qualquer coisa que esteja a sabotar a nossa atenção terá de facto atenção. Asseguramos assim que nenhuma “coisa” poderá ficar clandestinamente a sugar energia mental.
  2. Da fase de Processar, resulta um fluxo de trabalho claro sobre o que tem que ser feito e em que sequência. O cérebro não precisa de se (pre)ocupar com tud o que há para fazer e o que virá a seguir. O sistema GTD irá sempre transparecer qual é a próxima acção física e exequível com a qual nos devemos ocupar.

Com estes dois aspectos de GTD, tranquilizamos a mente com a certeza de que nenhum ciclo permanece aberto, ou pelo menos não sem estar devidamente identificado, controlado e vigiado.

About the Author: Nuno Donato

Formador GTD em Portugal. Apaixonado pela ciência do estudo da mente e do comportamento humano, tenta aprender e ensinar as melhores técnicas, ferramentas e estratégias para optimizar o nosso trabalho e maximizar a vida.

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