Porque é que tantas pessoas falham no arranque de GTD?

Embora praticamente todos os participantes em workshops GTD entrem com uma vontade de aprender e aplicar técnicas e ferramentas que lhes permitam ter uma vida pessoal e profissional sob controle e com mais tempo livre, a taxa de sucesso na implementação é curiosamente inferior ao que seria de esperar.

O método GTD não é apenas mais uma técnica, é uma mudança de paradigma sobre como pensamos sobre o trabalho. Talvez essa mudança de perspectiva, aliada aos (novos) hábitos que exige, sejam algumas das razões que tornam a sua implementação menos fácil.

Com o tempo, fui também observando que há alguns factores importantes que dificultam o arranque da prática de GTD com sucesso:

  • Demasiado foco na tecnologia (ou em escolher as ferramentas certas)
    Podemos passar meses à procura da app certa, do caderno certo, da forma certa para guardar isto ou aquilo. A verdade é que não interessa. GTD pode ser aplicado em qualquer ferramenta e por isso o mais importante não é encontrar a ferramenta ideal, mas começar! É com a prática do GTD na vida real que nos apercebemos de como a ferramenta poderia ser melhor e passado algum tempo fazer mudanças. Tentar, numa fase inicial, começar com o sistema perfeito é não só uma ilusão, com um factor de falhanço.
  • Usar apenas GTD para o trabalho (ou apenas para a vida pessoal)
    É muito comum encontrar pessoas que dizem “vou usar GTD para [….] mas o resto não preciso”. Isto parte de um desentendimento grave do que é GTD e como funciona. GTD é uma metodologia para a nossa vida como um todo, não é possível tratar apenas de partes. Quando algo fica de fora, esse algo acaba por sabotar o resto do sistema, mais cedo ou mais tarde.
  • Continuar a depender de “prioridades”
    Embora o GTD não seja contra a definição de prioridades, elas são, como costumo dizer, pouco prioritárias. Perceber o funcionamento do conceito de Áreas de Responsabilidade, Horizontes de Foco e de Contextos, é bem mais importante do que perder tempo a (re)definir prioridades para as nossas tarefas. Além do mais, o que interesse ver uma tarefa prioritária quando nao a podemos fazer? GTD dá-nos sempre o melhor leque de escolhas, sobre aquilo que é possível fazer agora.
  • Não ter uma implementação real, sólida e completa
    É impossível praticar GTD se o sistema não estiver construído. É impossível fazer “partes” de GTD, ou começar aos bocadinhos. Como disse em cima, GTD funciona como um todo, e só na sua implementação completa é que o podemos testar verdadeiramente.
    Muitas pessoas saiem das formações com motivação, mas esquecem-se de terminar a construção do seu sistema. Sem as listas, os recipientes, os locais para guardar as várias componentes daquilo que é um sistema GTD, é uma questão de dias (ou horas!) até que as coisas comecem a ficar fora de controle novamente.
    Daí dizer sempre que, antes de começar, construam.

E foi a pensar nestes factores, em especial no último, que resolvi criar um evento especial “A Arte da Produtividade Sem Stress”, que pela primeira vez tem a duração de 2 dias, num ambiente e funcionamento completamente diferente, e focado maioritariamente na parte prática da construção do seu sistema GTD.

Dois dias para ter acompanhamento próximo, escolher as ferramentas, começar, construir, usar, testar, e sair com um sistema sólido e fiável de organização pessoal e profissional.

Vai ser dias 12 e 13 de Janeiro de 2019, aproveitando o início do ano para também fazermos uma boa limpeza do que está para trás e (re)definir bons objectivos para o futuro.
Há descontos para inscrições até 20 de Novembro.

Mais informações no site oficial: http://evento.wiseaction.pt

About the Author: Nuno Donato

Formador GTD em Portugal. Apaixonado pela ciência do estudo da mente e do comportamento humano, tenta aprender e ensinar as melhores técnicas, ferramentas e estratégias para optimizar o nosso trabalho e maximizar a vida.